3 de mai de 2012

Discussão no Senado sobre Mobilidade Urbana em 30/04/2012

Em oito anos, as cidades brasileiras podem parar! O número cada vez maior de automóveis disputando espaço com longas fileiras de ônibus vai causar um gigantesco congestionamento, em lugares cada vez mais poluídos. Especialistas debateram o assunto na Comissão de Direitos Humanos do Senado."

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Veja a reportagem nos três vídeos abaixo.







Agradecemos o Pietro Arnaud por disponibilizar estes vídeos no Youtube.


Reportagem sobre a audiência - trechos dos depoimentos
(original aqui)


Iara Guimarães Altafin

Sem políticas públicas que assegurem opções eficientes de transporte coletivo urbano e com o aumento nas vendas de carros devido à elevação de poder aquisitivo dos brasileiros, o país enfrenta uma grave crise de mobilidade, conforme especialistas ouvidos nesta segunda-feira (9) em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Otávio Vieira, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, informou que, em 1977, sete em cada dez brasileiros se deslocavam por meio de transporte público. Em 2009, disse, já metade da população se deslocava por transporte individual.

– Acredito que hoje seja mais de 60% e não sabemos a quanto isso chegará em 2020. Creio que até lá as cidades estarão efetivamente paradas, se alguma coisa não for feita para melhorar essa questão – alertou.

Também Nazareno Stanislau Affonso, coordenador do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade, apontou a falta de prioridade para o transporte público e os incentivos à aquisição de veículos como as principais causas dos congestionamentos nos municípios brasileiros.

– O investimento para viabilizar uso do automóvel foi gigantesco, mas o uso do automóvel é um modelo falido. Os que têm carro vão ver que, se levavam 20 minutos [para chegar ao trabalho], vão levar 40 ou 50 minutos – disse.

No mesmo sentido, Ernesto Galindo, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), apontou limitações do transporte individual para equacionar problemas de mobilidade urbana.

– Não se trata de restringir a compra ou produção de veículos, mas o transporte individual não consegue atingir eficiência de uso de espaço público, uso energético e redução de acidentes, como o transporte público consegue – opinou.

Integração

No debate, os especialistas defenderam a combinação de opções de transporte, como sistemas rápidos de ônibus com linhas de metrô, vias para bicicleta e adequação de calçadas para pedestres.

Para Maria Rosa Abreu, da Universidade de Brasília (UnB), é preciso implementar, nas grandes cidades, a integração física dos modais de transporte coletivo, interligando ciclovias, aquavias e ônibus locais, com estações de metro e de trens regionais. Ela destacou ainda a importância da integração tarifária, com cartões de uso semanal, mensal ou mesmo anual, adquiridos com descontos.

– Nosso país está na contramão – disse, ao criticar os incentivos à indústria de veículos, sem a estruturação do transporte público urbano.

Na discussão, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) acrescentou a educação às soluções de engenharia e tecnologia para os problemas de transporte.

– Precisamos mudar a mentalidade sobre a forma de pensar o progresso. Progresso não se mede pelo maior número de carros, mas pelo menor número de horas que se perde no trânsito – disse. Para o senador, também é precioso educar os governantes, para que eles façam escolhas de modais de transporte buscando o bem-estar da população.

Lei de Mobilidade Urbana

Em sua apresentação, Nazareno Affonso destacou a Lei da Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012), sancionada pela presidente Dilma Rousseff em janeiro e que entrará em vigor agora em abril. A lei institui diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), prevendo “prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado”.

Determina ainda “a integração entre os modos e serviços de transporte urbano e a mitigação dos custos ambientais, sociais e econômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas na cidade”. Com a nova política, as prefeituras deverão definir regras do transporte urbano local e o governo federal poderá aportar recursos para iniciativas que atendam as diretrizes da Lei de Mobilidade.

– Cidades com mais de 20 mil habitantes deverão ter plano diretor e plano de mobilidade urbana, construído pela sociedade civil organizada, através de órgãos colegiados – frisou Affonso.

Desoneração do transporte público

Os debatedores também defenderam a aprovação do PLC 310/2009, que prevê a adoção de um conjunto de incentivos para o transporte público. O texto determina, por exemplo, a isenção de PIS e Cofins sobre o transporte público urbano e metropolitano, além da isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o óleo diesel e a energia elétrica utilizados no transporte público.

Prevê ainda isenção de ICMS sobre chassis, carrocerias e pneus utilizados no transporte coletivo e a desoneração da folha de pagamento das empresas que atuam no setor.

O projeto foi aprovado na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) e tramita atualmente na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), onde o relator, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), apresentou voto pela aprovação do texto. A proposta precisa ainda passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde será votada em decisão terminativa.

Agência Senado

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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