2 de mai de 2011

O trânsito pesado e as soluções



Link para o site da Globo.

Interessante é que São Paulo, Rio de Janeiro, Londres e Ponta Grossa tem mais ou menos os mesmos problemas de trânsito, que podem ser resumidos em uma causa-raiz principal: excesso de automóveis.

E a solução que vem sendo adotada nestas cidades, e em muitas outras (ainda não em Ponta Grossa), é uma que parece exageradamente óbvia: diminuição do número de automóveis. Na verdade, o principal problema do trânsito não é sua fluidez, ou algum problema de infraestrutura; o principal problema de trânsito é o excesso de automóveis, que pode ser contornado pela diminuição do número de veículos - principalmente nos centros das cidades.

Enquanto pensarmos no problema de trânsito como uma questão de satisfazer as necessidades de um número cada vez maior de carros, estaremos aumentando o grupo daqueles que são parte do problema, e não da solução. Jamais conseguiremos aumentar a infraestrutura proporcionalmente ao aumento do número de veículos. Isso é um fato bem conhecido por todos aqueles que trabalham com planejamento viário.

Por outro lado, ainda temos um longo caminho até atingirmos um mínimo de adequação do trânsito em Ponta Grossa. Neste momento, nossa cidade tem uma oportunidade única para:
  • Melhorar a infraestrutura de mobilidade.
  • Diminuir o número de veículos de uso individual no centro da cidade.
  • Melhorar a qualidade do transporte coletivo. 
  • Estimular e educar para o uso de transportes ativos (bicicletas e outros).
Por mobilidade entende-se não somente trânsito de automóveis, caminhões e ônibus, mas o verdadeiro propósito da malha viária de uma cidade: movimentação de pessoas.

Afinal, as ruas existem porque as pessoas precisam delas. Os carros e outros meios passivos de transporte ficam muito bem, obrigado, em suas garagens - sem reclamar. Sim, precisamos de carros e de outros meios motorizados, porque muitas das nossas atividades exigem que sejamos levados para lá e para cá, assim como nossos objetos - isso faz parte da vida moderna. Porém, no caso do trânsito, uma atividade meio - o nosso transporte em algum veículo motorizado - se transformou em atividade fim - trânsito de carros - sem que isso tenha sido claramente percebido, nem pela população nem pelas autoridades. Devemos encarar o fato que o sistema viário, qualquer sistema viário em qualquer cidade do mundo, existe para atender o direito de ir e vir das pessoas.

Iremos explorar este tema mais a fundo em posts futuros - por enquanto é isso.

Saudações cicloviárias!

Um comentário:

  1. Ponta Grossa tem um plano diretor que não saiu do papel e agora, a novidade é a contratação de uma empresa para as soluções "de curto prazo e com baixo investimento". Enquanto isso, o contribuinte vai pagando a conta.
    O problema da mobilidade em Ponta Grossa não vai ser resolvido enquanto a administração municipal continuar insistindo em medidas do tipo "apaga fogo". Precisamos de planejadores que pensem a mobilidade urbana, com coragem para adotar medidas como por exemplo, a eliminação de carros em circulação no centro da cidade, e favorecer os meios de transporte alternativo ao veículo individual. É só olhar as experiências de cidades que resolveram o problema. É simples, nem precisa gastar R$150.000,00 pagando técnicos de fora.

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